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Prescrição da nota promissória: prazos e como cobrar

Em quanto tempo a nota promissória vencida prescreve, o que ainda dá para fazer depois dos três anos e como cobrar antes de ir à Justiça.

Regras e limites · 9 min · 23/09/2026 · atualizado em 23/09/2026

A execução de uma nota promissória prescreve em três anos a contar do vencimento. Depois disso ela perde a força de título executivo, mas não vira papel sem valor: por mais dois anos, até completar cinco contados do dia seguinte ao vencimento, ainda serve de prova escrita para uma ação monitória. O que esse calendário ensina é que o tempo trabalha contra quem espera, e que a maior parte do que se recebe de uma promissória vencida se resolve na conversa, bem antes do primeiro prazo.

Os prazos, em ordem

Tempo desde o vencimentoO que ainda cabeBase
Até 3 anosExecução direta: o devedor é citado para pagar em 3 dias.Lei Uniforme de Genebra (Decreto 57.663/1966) e CPC, arts. 784, I, e 829.
De 3 a 5 anosAção monitória, com a nota como prova escrita.CPC, art. 700; Código Civil, art. 206, § 5º, I; entendimento sumulado do STJ, que conta os cinco anos do dia seguinte ao vencimento.
Depois de 5 anosSó a discussão da dívida de origem, se ela ainda não tiver prescrito por outra regra, e com um advogado.Código Civil, arts. 205 e 206.
Os prazos contam do vencimento escrito na nota, não da data em que você lembrou de cobrar. Anote a data no dia em que receber a promissória.

O que interrompe a prescrição

O Código Civil lista os atos que interrompem a prescrição, e dois deles estão ao alcance de quem cobra: o protesto cambial (art. 202, III) e qualquer ato inequívoco do devedor que reconheça a dívida, mesmo fora da Justiça (art. 202, VI). Um acordo assinado, uma nova promissória emitida pelo devedor ou uma mensagem em que ele confirma o valor e propõe data contam. A interrupção só acontece uma vez, e o prazo volta a correr do começo a partir do ato (art. 202, parágrafo único).

Como cobrar a nota promissória vencida

1Confira a nota antes de cobrarValor, vencimento, nome do beneficiário, lugar de pagamento e a assinatura do emitente. Sem esses dados a nota pode não valer como título, e é melhor saber antes da conversa.
2Contato no dia seguinte ao vencimentoMensagem curta, com o valor, a data e uma pergunta aberta. O tom faz diferença: o roteiro de conversa de cobrança tem as respostas para as objeções mais comuns.
3Proposta com dataSe a pessoa não consegue pagar tudo, ofereça entrada e parcelas com datas definidas, dentro do limite que você decidiu antes da conversa.
4Formalize o acordoAcordo parcelado pede uma nova promissória por parcela, que também é reconhecimento da dívida e interrompe a prescrição. O GeraContratos, da mesma casa, tem um gerador de nota promissória gratuito para isso.
5Sem resposta, o protestoSe a conversa não anda, o protesto em cartório torna o atraso público e interrompe a prescrição. Veja a seção seguinte antes de decidir.

Durante toda a cobrança valem os limites do Código de Defesa do Consumidor quando o devedor é consumidor: nada de exposição a ridículo, constrangimento ou ameaça (art. 42 do CDC), e contato em horário razoável. Juros e multa só os previstos na nota ou em lei; para a conta, use a calculadora de juros e multa por atraso.

Quando o protesto entra

O protesto é a forma oficial de registrar que a nota não foi paga, e ele pesa na decisão do devedor porque aparece em consultas de crédito. Mas protestar antes de tentar negociar costuma endurecer a conversa. O guia de quando o protesto de título vale a pena mostra custo, prazo e o momento certo de usar.

Quando o caso vai para o advogado

Se passaram os contatos, o protesto e nenhum acordo saiu, o próximo passo é judicial, e ele é feito por um advogado. Dentro dos três anos, a nota é executada diretamente; o guia de execução de título extrajudicial do Lavro, ferramenta de peças para advogados, mostra o que o processo exige. Levar ao advogado a nota original, o histórico das conversas e a conta atualizada encurta esse caminho.

Este guia é informativo e não substitui a orientação de um advogado sobre o seu caso.

Perguntas frequentes

Nota promissória prescreve em quanto tempo?

A execução prescreve em três anos a contar do vencimento, pela Lei Uniforme de Genebra. Depois disso, a nota ainda pode embasar uma ação monitória por cinco anos contados do dia seguinte ao vencimento, conforme entendimento sumulado do STJ.

Nota promissória vencida pode ser protestada?

Pode. O protesto registra oficialmente o não pagamento e interrompe a prescrição (art. 202, III, do Código Civil). Vale tentar a negociação antes, porque o protesto costuma endurecer a conversa.

Dá para cobrar uma nota promissória prescrita?

Dá para conversar e negociar a qualquer tempo, e o pagamento voluntário de dívida prescrita é válido. Na Justiça, depois dos três anos da execução, ainda cabe ação monitória até completar cinco anos. Depois disso, a cobrança judicial fica muito difícil.

Um acordo novo reinicia o prazo?

Sim. Qualquer ato inequívoco do devedor que reconheça a dívida interrompe a prescrição (art. 202, VI, do Código Civil), e o prazo volta a correr do começo. Um acordo assinado ou uma nova promissória emitida pelo devedor são os exemplos mais seguros.

Preciso de advogado para cobrar a nota promissória?

Para a conversa, a proposta de acordo e o protesto, não. Para a execução ou a ação monitória, sim: o processo judicial é conduzido por advogado.

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