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Assessoria de cobrança: quanto custa e quando compensa

Os percentuais praticados, o que muda por idade da dívida, e a comparação honesta com cobrar internamente ou automatizar. Com as contas abertas.

Decisão · 12 min · 13/09/2026

Assessoria de cobrança trabalha por percentual do que recupera. O número varia bastante, e varia por um motivo específico: quanto mais velha a dívida, maior o percentual, porque menor a chance de receber. Isso já diz quase tudo sobre quando terceirizar faz sentido.

Este guia traz as faixas praticadas, o que costuma estar escondido no contrato, e a comparação com as outras duas opções, que quase nunca é feita de forma honesta porque quem escreve tem lado. Vou declarar o meu: construímos uma ferramenta de cobrança automatizada. Por isso o texto abaixo também diz onde a automação não é a melhor escolha.

Os percentuais praticados

O mercado trabalha por faixas ligadas à idade da dívida, e a lógica é direta: recuperar uma conta de trinta dias dá pouco trabalho e tem alta chance de sucesso; recuperar uma de dois anos é quase prospecção.

Idade da dívidaPercentual usualPor quê
Até 60 dias10% a 15%Alta chance de recuperação, esforço baixo
60 a 180 dias15% a 25%Começa a exigir negociação de verdade
180 dias a 1 ano25% a 35%Contato difícil, desconto grande
Acima de 1 ano35% a 50%Prospecção pura, muitas não voltam
Os percentuais variam por segmento, por volume e por ticket, e são negociáveis. Carteira grande com ticket alto puxa para baixo; carteira pulverizada de valor pequeno puxa para cima, porque o custo por contato é o mesmo e o retorno por caso é menor.

O que costuma estar no contrato

O percentual é o que se negocia. O resto é o que surpreende depois.

  • Exclusividade sobre a carteira repassada. Se o cliente pagar direto para você, a comissão em geral é devida do mesmo jeito. Não é abuso: a assessoria trabalhou o caso e o contato dela é o que provocou o pagamento.
  • Prazo de permanência. A carteira costuma ficar com a assessoria por um período mínimo, e retirar antes tem regra própria.
  • Comissão sobre acordo, não sobre pagamento. Detalhe importante: em alguns contratos a comissão incide sobre o valor acordado, mesmo que o acordo quebre na segunda parcela. Vale conferir se é sobre o acordado ou sobre o recebido.
  • Custos de cartório e despesas. Protesto tem custo, e nem sempre está incluso.
  • Quem aparece para o seu cliente. Em geral é a assessoria, e o tom dela não é o seu. Para carteira recente, isso tem custo de relacionamento que não aparece na planilha.

As três opções, lado a lado

AssessoriaAlguém internoAutomatizar
Como paga% do recuperadoSalário fixoMensalidade ou % menor
Custa se não recuperarNadaTudoPouco
Quem apareceA assessoriaSua empresaSua empresa
EscalaAltaBaixa: mais carteira exige mais genteAlta
Funciona bem emDívida antigaCarteira pequena e ticket altoCarteira recente e pulverizada
Risco principalTom errado com cliente que você quer manterA pessoa faz só o primeiro contato quando apertaCobrar quem já pagou, se a baixa atrasar

Repare na linha "custa se não recuperar". É a grande vantagem da assessoria, e é real: você não paga nada se ela não trouxer dinheiro. Em dívida velha, isso é decisivo, porque a alternativa é gastar seu tempo perseguindo o que provavelmente não volta.

A conta que quase ninguém faz

A comparação costuma ser feita entre assessoria e ferramenta, e essa é a comparação errada. Na prática, a maior parte das empresas cobra internamente, e o concorrente real de qualquer solução é a pessoa que já está na folha.

Vale colocar os números na mesa, para uma carteira hipotética de 300 contas em aberto, somando R$ 150 mil:

Custo mensalObservação
Pessoa dedicadaR$ 4.000 a R$ 5.000Salário de R$ 2.500 mais encargos, que quase dobram o valor
Assessoria, 20% do recuperadoR$ 6.000 se recuperar R$ 30 milZero se não recuperar nada
AutomaçãoCentavos por conversa em custo diretoMais o que a ferramenta cobrar
O custo direto de uma negociação automatizada por mensagem é de centavos: alguns centavos de mensagem cobrados pela plataforma, mais uma fração de centavo do modelo de linguagem por conversa inteira. Isso não é o preço de um produto, é o custo de operar. Quem vende ferramenta cobra muito mais que isso, e é honesto que cobre: o trabalho está em fazer funcionar, não em enviar.

A pergunta que decide, então, não é qual é mais barato por mensagem. É esta: quanto da sua carteira não está sendo cobrado hoje? Uma pessoa fazendo cobrança à mão dá conta do primeiro contato de todo mundo. O segundo e o terceiro caem quando o dia aperta, e é ali que está a maior parte do que se recupera.

Quando cada uma ganha

1Dívida acima de seis meses: assessoriaO esforço é alto, a chance é baixa e você não quer gastar seu tempo com isso. Pagar percentual de algo que provavelmente não voltaria é bom negócio. E se não voltar, não custou nada.
2Carteira pequena com ticket alto: internoAbaixo de umas cinquenta contas, uma pessoa organizada faz melhor que qualquer sistema, porque lembra do contexto de cada cliente e a conversa é de relacionamento, não de processo.
3Carteira recente e pulverizada: automatizarMuitas contas de valor parecido, vencendo todo mês, com a régua sempre igual. É trabalho repetitivo de volume, que é onde gente rende pouco e cansa rápido.
4Os dois juntos, que é o mais comumRégua automática nos primeiros noventa dias, onde está o dinheiro que volta, e repasse do que passar disso para a assessoria. As duas coisas resolvem problemas diferentes.

Antes de decidir qualquer coisa, olhe a distribuição da sua carteira por faixa de atraso. O painel de inadimplência faz isso de graça: se a maior parte do seu dinheiro está acima de noventa dias, o problema não é qual fornecedor contratar, é quando a cobrança começa.

Perguntas frequentes

Quanto cobra uma assessoria de cobrança?

Um percentual do valor recuperado, que varia com a idade da dívida: de 10% a 15% para contas recentes, chegando a 35% ou mais para dívida acima de um ano. Volume, ticket médio e segmento também influenciam, e o percentual é negociável.

Pago alguma coisa se a assessoria não recuperar?

Na maioria dos contratos, não: a remuneração é só sobre o recuperado. Confira duas coisas, porém: se há taxa de setup ou mensalidade mínima, e se despesas como custas de protesto correm por sua conta.

E se o cliente pagar direto para mim?

A comissão em geral continua devida, porque a carteira foi repassada e o trabalho da assessoria é o que provocou o pagamento. É cláusula padrão, e não é abusiva: leia com atenção e negocie o prazo de exclusividade, não a cláusula em si.

Vale a pena terceirizar a cobrança recente?

Raramente. Na dívida de até sessenta dias a recuperação é alta e o contato ainda é de relacionamento: pagar 15% por um dinheiro que voltaria com uma mensagem sua é caro, e o cliente passa a ser abordado por uma empresa que não é a sua, o que tem custo de relação.

Quanto custa cobrar internamente?

O salário mais encargos, que quase dobram o valor, e o custo invisível de o segundo e o terceiro contato não acontecerem quando o dia aperta. Para carteira de poucas dezenas de contas, é a opção mais barata e a melhor. Acima disso, o custo por conta cobrada cresce rápido.

Dá para usar assessoria e automação ao mesmo tempo?

É o desenho mais comum e costuma ser o melhor: régua automática nos primeiros noventa dias, onde está a maior parte do que volta, e repasse do que passar disso para a assessoria trabalhar por percentual. Cada uma resolve um problema diferente.

A assessoria pode cobrar do meu cliente de qualquer jeito?

Não. As regras do Código de Defesa do Consumidor valem para ela igual: nada de ameaça, exposição ou constrangimento. E a responsabilidade não termina no contrato: cobrança abusiva feita em nome da sua empresa respinga na sua marca e pode respingar juridicamente também.

A terceira opção

Se a sua carteira é recente e pulverizada, existe um caminho entre pagar percentual e colocar mais gente na folha.

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A terceira opção

A Quitou cobra a carteira inteira todo dia, sem percentual sobre o recuperado e sem alguém na sua folha.

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