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Parcelar ou dar desconto à vista?

A comparação que a intuição erra: seis parcelas somam mais que o valor com desconto, mas valem menos. Aqui entram as duas coisas que faltam nessa conta, o custo de esperar e a chance de o acordo parar no meio.

À vista, com 20% de descontoR$ 2.400,00hoje, sem risco
6x de R$ 500,00R$ 2.430,85valor presente, já descontado o risco de quebra
Soma nominal do parceladoR$ 3.000,00é o número que parece maior
Valor presente, se pagar tudoR$ 2.848,59descontado 1,5% ao mês
Ajuste pelo risco de quebra-R$ 417,7530% de chance de parar na metade
Parcelado valeR$ 2.430,85+R$ 30,85 contra o à vista

Com esses números, parcelar em 6x vale mais do que dar 20% à vista, por R$ 30,85. Se a chance de quebra for maior do que 30%, a conta vira.

Por que a soma das parcelas engana

Numa dívida de R$ 3.000, seis parcelas de R$ 500 somam os mesmos R$ 3.000, e 20% de desconto à vista dá R$ 2.400. A escolha parece óbvia: R$ 3.000 é maior que R$ 2.400.

Só que os R$ 3.000 não chegam hoje, e uma parte deles não chega nunca. Duas correções entram na conta:

Com essas duas correções, o parcelado longo perde para o desconto à vista com mais frequência do que o intuitivo sugere. E, mais importante: você passa a saber até quanto de desconto pode dar antes de a conta virar.

Como usar isso na negociação

SituaçãoO que a conta costuma dizer
Dívida recente, cliente que respondeParcelado curto ganha. O risco de quebra é baixo e você mantém o valor cheio.
Dívida antiga, contato difícilDesconto à vista ganha com folga. Risco alto derruba o valor do parcelado.
Empresa com caixa apertadoÀ vista ganha antes: o custo do dinheiro alto pesa contra qualquer prazo.
Parcela que não cabe no bolsoNenhum dos dois. Parcela alta demais é o principal motivo de quebra.

A pergunta que fecha mais acordo

Não é “em quantas vezes você quer?”. É “quanto você consegue pagar por mês?”. A primeira pergunta puxa a resposta para o maior número possível; a segunda parte do que a pessoa realmente tem, e o parcelamento que sai dela quebra menos.

O guia de como cobrar um cliente inadimplente tem o roteiro dessa conversa, e a calculadora de juros e multa mostra quanto de encargo você tem para negociar antes de tocar no principal.

Perguntas frequentes

Vale mais a pena parcelar ou dar desconto à vista?

Depende de três coisas: quanto vale para você ter o dinheiro hoje, em quantas vezes seria o parcelamento e qual a chance de o acordo quebrar no meio. A intuição costuma errar porque compara a soma nominal das parcelas com o valor à vista, ignorando que dinheiro futuro vale menos e que parte dele não chega.

Quanto de desconto é razoável dar?

Comece pelos encargos: multa, juros e correção são a moeda mais barata, porque você abre mão de um acréscimo e recebe o principal hoje. Desconto no principal é a última carta. Como referência, um desconto à vista equivalente a três ou quatro meses do seu custo de capital costuma ser o ponto em que a conta empata.

Com que frequência um acordo parcelado quebra?

Varia muito por segmento e por como o acordo foi feito, mas quebrar é o normal, não a exceção: uma parte relevante dos acordos para antes do fim. Acordos com parcela alta demais e com muitas parcelas quebram mais. Por isso a simulação pede essa probabilidade em vez de escondê-la.

O que é o custo do dinheiro nessa conta?

É quanto vale para a sua empresa ter o dinheiro hoje em vez de daqui a um mês. Se você está no cheque especial ou antecipando recebíveis, é a taxa que você paga. Se está com caixa sobrando aplicado, é o que você deixa de ganhar. Quanto maior esse custo, mais vale receber à vista.

Devo cobrar juros no parcelamento do acordo?

Em geral não compensa. Juros no acordo aumentam a parcela, e parcela maior é o principal motivo de quebra. O acordo que fecha e é cumprido vale mais do que o acordo maior no papel que para na terceira parcela.

Quantas parcelas oferecer?

O menor número que faça a parcela caber no bolso da pessoa. Em vez de perguntar em quantas vezes ela quer, pergunte quanto ela consegue pagar por mês, e monte o parcelamento a partir disso: o resultado costuma ter menos parcelas do que a pessoa teria pedido.

A simulação usa as suas premissas. A probabilidade de quebra e o custo do dinheiro são estimativas suas, não dados do mercado, e o resultado muda bastante com elas. Use para decidir entre duas propostas, não como previsão de caixa.